terça-feira, 14 de abril de 2015

Semana da Arte Moderna

As agitações da primeira década do século XX se tornaram mais evidente nos anos 1920 quando a "República Velha”, que era dominada pelas oligarquias cafeeiras, com a politica do “café com leite” intercalando o poder entre São Paulo e Minas Gerais, passou a dar sinais de desgaste, observava-se também, o crescimento do movimento tenentista, que contestava a ação política e social dos coronéis e defendiam reformas políticas e sociais, promoviam revoltas e contavam com a Coluna Preste, liderada por Luís Carlos Prestes, que objetivava conscientizar a população contra as injustiças sociais promovidas pelo governo republicano, na qual seus participantes percorriam milhares de quilômetros pelo interior do Brasil para espalhar as verdades sobre o governo. Era evidente também, a crescente industrialização e o grande fluxo de imigrantes. Isso tudo gerou o Golpe de 1930 e a Era Vargas.
O contexto da crise no Brasil se deu no período dos "anos loucos", bastante ricos do ponto de vista cultural. Era o período pós-guerra, e o continente europeu comemorava o fim do conflito e experimentava a efervescência intelectual. A arte moderna nasceu dessas várias tendências, e se espalhou pelo mundo inteiro com o Expressionismo (1905), o Cubismo (1907), o Futurismo (1909), o Dadaísmo (1916) e o Surrealismo (1924). Nesta época era perceptível uma inquietação por parte de artistas e intelectuais em relação ao academicismo que imperava no cenário artístico. Apesar de vários artistas passarem temporadas em Paris, eles ainda não traziam as informações dos movimentos de vanguarda que efervesciam na Europa. As primeiras exposições expressionistas que passaram pelo Brasil - a de Lasar Segall em 1913 e, um ano depois a de Anita Malfatti - não despertaram atenção; é somente em 1917, com a segunda exposição de Malfatti, ou mais ainda com a crítica que esta recebeu de Monteiro Lobato, que vai ocorrer uma polarização das ideias renovadoras. É nesse cenário que se organiza a Semana da Arte Moderna.
A Semana de Arte Moderna ocorreu no Teatro Municipal de São Paulo, nos dias de 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, e foi um movimento artístico, social e político, que tinha como objetivo atualização das artes e da identidade nacional.
Foi idealizada por Di Cavalcante e contou com a presença de diversos artistas, como os escritores Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia e pelas pintoras Tarsila do Amaral e Anita Malfatti, que desejavam escandalizar a sociedade, principalmente a burguesia urbana, que comemorava o centenário da independência do país, mas ainda vivia nos moldes de vida europeus.
No evento, havia um grupo que lutava contra os valores estéticos conservadores e não aceitava a submissão às propostas oriundas da Europa. De fato, colocavam em xeque a ideia de que o Brasil precisava “copiar” o modelo civilizatório europeu para que o país tivesse condições de superar seus problemas e “atrasos”. Enfim, inspirados por novas ideias, pretendiam romper com os velhos padrões estéticos que vigoraram no século XIX.
Foram realizadas conferências e palestras sobre diferentes temas relacionados às formas de expressão artística no Brasil e no mundo. No saguão do teatro, uma exposição mostrava as modernas tendências das artes plásticas, com cores e formas que chocaram os apreciadores de uma arte mais comportada.
Durante o evento, foram realizados diferentes festivais, cada qual dedicado a um tema: pintura e escultura, literatura, poesia e música.
Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Vítor Brecheret, Heitor Villa-Lobos, Menotti del Pichia, Guilherme de Almeida e Sérgio Milliet foram alguns dos grandes nomes que participaram da Semana, além de inúmeros outros artistas.
Muitos deles, como Oswald de Andrade e Anita Malfatti, tiveram contato com as novas vanguardas artísticas em viagens feitas ao exterior. Ao voltar para o Brasil, incorporaram as novas ideias a seu trabalho, propondo novas formas de expressão artística dentro da valorização das características nacionais. A renovação da linguagem era uma necessidade da intelectualidade brasileira no início do século XX.
Os artistas brasileiros buscavam uma identidade própria e a liberdade de expressão; com este propósito, experimentavam diferentes caminhos sem definir nenhum padrão. Isto culminou com a incompreensão e com a completa insatisfação de todos que foram assistir a este novo movimento. Logo na abertura, Manuel Bandeira, ao recitar seu poema Os sapos, foi desaprovado pela plateia através de muitas vaias e gritos. 
Embora tenha sido alvo de muitas críticas, a Semana de Arte Moderna só foi adquirir sua real importância ao inserir suas ideias ao longo do tempo. O movimento modernista continuou a expandir-se por divulgações através da Revista Antropofágica e da Revista Klaxon, e também pelos seguintes movimentos: Movimento Pau-Brasil, Grupo da Anta, Verde-Amarelismo e pelo Movimento Antropofágico. 
Com o tempo, a Semana da Arte Moderna passou a ser considerada o ponto de partida do Modernismo no Brasil, um movimento artístico que pregava a liberdade de expressão e de estilo e a autonomia dos artistas, com a valorização da identidade brasileira em toda a sua variedade.
Alguns movimentos artísticos que vieram bem depois, na segunda metade do século XX, podem ser considerados desdobramentos das ideias estéticas apresentadas originalmente na Semana de 22. Se destacam, no cinema, os filmes do diretor Glauber Rocha; na música, o movimento do Tropicalismo; e no teatro, a chamada geração do Teatro Lira Paulistana, em São Paulo (com destaque para Itamar Assunção e Arrigo Barnabé).
Dessa forma, podemos considerar que a Semana de Arte Moderna teve uma importância fundamental na revisão dos valores estéticos e nas discussões intelectuais do Brasil. Apesar do acesso ao conhecimento e o analfabetismo serem dois grandes entraves desse período, o evento teve grande importância para que outras manifestações artísticas surgissem posteriormente.

Fontes Bibliográficas:
http://www.suapesquisa.com/artesliteratura/semana22/
http://mundoestranho.abril.com.br/materia/o-que-foi-a-semana-de-arte-moderna-de-1922 
http://escola.britannica.com.br/article/483556/Semana-de-Arte-Moderna-de-1922
http://www.macvirtual.usp.br/mac/templates/projetos/seculoxx/modulo2/modernismo/semana/index.htm
http://www.mundoeducacao.com/historiadobrasil/semana-arte-moderna-1922.htm
http://www.historia.seed.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=280
http://educacao.globo.com/literatura/assunto/movimentos-literarios/modernismo.html
http://abstracaocoletiva.com.br/2013/04/10/semana-de-arte-moderna-contexto-historico/

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Especificações dos Artistas Idealizadores

Anita Malfatti

Anita Catarina Malfatti nasceu em 2 de dezembro de 1889, em São Paulo. Filha de Samuel Malfatti e de Elisabete, era pintora, desenhista e falava vários idiomas, o que lhe rendia uma habilidade cultural vasta. 
Chegando a Berlim, em setembro de 1910, começou a tomar aulas particulares no ateliê de Fritz Burger, matriculando-se um ano depois na Academia Real de Belas-Artes. Em 1916 retornou ao Brasil, já com 27 anos, disposta a expressar toda sua arte, especialmente voltada para o Expressionismo. 
Assim, por meio de influências de seus amigos modernistas, em especial por Di Cavalcanti, Anita decidiu locar uma das dependências do Mappin Stores e realizar uma única apresentação de seus trabalhos, em 12 de dezembro de 1917. 
O que não sabia era que o destino, de forma irônica, lhe reservara um grande infortúnio. Monteiro Lobato, por meio de seu artigo Paranoia ou mistificação, criticou a duras penas o trabalho da artista. Tal intento não era destinado a ela em especial, mas aos modernistas propriamente ditos. O fato lhe abalou profundamente e a fez carregar pelo resto de sua vida um sentimento de total descontentamento frente às coisas que a rodeavam. Seu primeiro instinto foi o de abandonar de vez a arte, contudo passou a tomar aulas com o mestre Pedro Alexandrino, fato que lhes concedeu uma proveitosa e duradoura amizade.
Motivada por amigos, resolveu participar da Semana de Arte Moderna de 1922 e, no ano seguinte, viajou para Paris, munida de uma bolsa de estudos, onde encontrou Tarsila do Amaral, Oswald de Andrade, Vitor Brecheret e Di Cavalcanti. Retornou depois de algum tempo ao solo brasileiro, já com a confiança recuperada, no entanto não estava mais disposta em se aventurar em novas “investidas culturais”.  
Anita veio a falecer em 6 de novembro de 1964 em Diadema, estado de São Paulo, local em que morava com sua irmã Georgina, em uma chácara.  


Di Cavalcanti

Emiliano Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Melo, filho de Frederico Augusto Cavalcanti de Albuquerque e Rosalia de Sena,

nasceu em 1897, no Rio de Janeiro, e faleceu em 1976 naquela mesma cidade. Seu talento artístico começara em 1908, em São Cristóvão, bairro de classe média para o qual a família se mudara.

Anos mais tarde, em 1914, iniciou sua carreira de caricaturista. Em 1916, matriculou-se na escola Livre de Direito, mudando-se para São Paulo e levando consigo uma carta de Olavo Bilac para o jornalista Nestor Rangel Pestana, crítico de arte do Estadão. Com isso, empregou-se como arquivista no jornal O Estado de São Paulo.
Di Cavalcanti foi um dos idealizadores da Semana de Arte Moderna, participando da criação dos catálogos e dos programas, além de ter exposto doze pinturas. Entre sua vasta obra, podemos citar:
Viagem da Minha Vida – O Testamento da Alvorada (1955) e Reminiscências Líricas de um Perfeito Carioca (1964).
Ilustrou numerosos livros, entre os quais: Carnaval, de Manuel Bandeira, 1919; Losango Cáqui, de Mario de Andrade, 1926; A Noite na Taverna e Macário, de Alvares de Azevedo, 1941; etc.
Executou murais em Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo e editou álbuns de gravuras, tais como Lapa, xilogravuras, 1956; Cinco Serigrafias, 1969 e Sete Flores, com texto de Carlos Drummond de Andrade, 1969.

Lasar Segal

Lasar Segal nasceu em 21 de julho de 1891, na cidade de Vilna, capital da Lituânia. Faleceu em 2 de agosto de 1957 na cidade de São Paulo, deixando um vasto acervo que enfatiza não somente a beleza, mas sobretudo a miséria que presenciara durante toda sua jornada. Para Segal a pintura estática não lhe satisfazia, haja vista que nela era preciso fazer algumas distorções de modo a retratar a realidade – propósito esse que o levou a aproximar-se do Expressionismo. Depois de rápida estada na Holanda, partiu para o Brasil, onde organizou duas exposições: uma em São Paulo e outra em Campinas.
Mais que um pintor, considerado também como um verdadeiro sociólogo, Lasar Segal tinha obsessão pelo ser humano e, por meio dos pincéis, retratou os problemas brasileiros, revelados por cenas familiares, dando ênfase ao interior pobre das casas, bem como aos rostos sofridos de seus habitantes. Cenas essas que retratavam o conformismo de uma sociedade considerada imutável.
Assim sendo, utilizava em suas obras não somente óleo sobre tela, mas também processos de gravura que aprendera na Rússia, tais como a litogravura e a zincografia, os quais conferiam à sua arte um caráter puramente versátil.
Atingido por um ataque fulminante, veio a falecer. Contudo, sua vasta obra permaneceu viva, por meio de um acervo com 2500 obras, local onde funciona uma Biblioteca organizada por sua mulher – escritora e tradutora.

Tarsila do Amaral

Tarsila do Amaral nasceu em Capivari, no estado de São Paulo, em 1886 e faleceu em 1973, na cidade de São Paulo. Em 1916 começou sua vida artística por acaso, quando aprendeu modelagem com Zadig e Mantovani. No ano seguinte, motivada por grande interesse pela pintura, Tarsila começou a ter aulas com Pedro Alexandrino e, em 1920, viajou para Paris, onde se matriculou na Academia Julian. Retornou a São Paulo em 1922, sob um clima de mudança artística e cultural. Mediante seu reencontro com Anita, resolveram se juntar a Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti del Picchia e fundar o chamado grupo dos cinco, procurando manter viva a intenção proposta pela Semana de 22.  
No final da década de 1920, Tarsila criou os movimentos Pau-brasil e Antropofágico, ambos defendendo a ideia de que o artista deveria sim conhecer bem a arte europeia, contudo deveria criar uma estética genuinamente brasileira. 
Ainda em 1923 retornou à Europa, onde manteve contato com diferentes artistas ligados ao movimento modernista europeu. No ano de 1926, casou-se com Oswald de Andrade, vindo a se separar em 1930. Entre 1920 e 1930 pintou suas obras de maior valor cultural, as quais lhe conceberam grande reconhecimento no mundo das artes: Abaporu (1928) e Operários (1933). Entre os elementos que refletiram em sua temática artística podemos citar o uso de cores vivas, a abordagem de temas sociais e cotidianos e paisagens brasileiras, o uso de formas geométricas (influência cubista) e uso de uma estética considerada fora do padrão (influência surrealista na fase antropofágica).
Veio a falecer em 1973, em São Paulo, deixando uma vastíssima obra que lhe concedeu o título de uma das maiores figuras artísticas brasileiras de todos os tempos.

Ismael Nery

Ismael Nery nasceu em Belém do Pará em 1900 e faleceu em 1934 na cidade do Rio de Janeiro. Esse artista não defendia a ideia de nacionalidade como os artistas de sua época; ao contrário, estendia sua expressão artística em seu sentido mais amplo, entrelaçando todas as correntes de pensamento. Sua carreira como pintor não lhe rendeu o merecido reconhecimento por parte do público, uma vez que não chegou a vender mais que uma centena de quadros, expostos somente em dois eventos. Ao contrário de sua produção enquanto desenhista, que, segundo a opinião de especialistas, era melhor que sua pintura.  
Costuma-se dividir a obra desse nobre artista em três vertentes: a expressionista, indo de 1922 a 1923; a cubista, de 1924 a 1927, sob forte influência de Pablo Picasso; e a Surrealista, demarcada de 1927 a 1934, sua fase mais importante e promissora.

Heitor Vila-Lobos

Maestro e compositor, Heitor Vila-Lobos (1887-1959), participou da Semana de 22, onde apresentou “Danças Características Africanas” e “Impressões da Vida Mundana”, entre outras obras. Após realizar uma viagem ao Norte e Nordeste do país, onde pesquisou cantigas folclóricas para reutilizá-las em suas peças musicais: choros, sinfonias, coros e músicas de câmara. Villa-Lobos ganhou projeção na Europa e nos Estados Unidos, onde regeu algumas de suas composições. No Brasil, o músico contribuiu para a renovação do ensino musical, nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.


Mário de Andrade
 Mário de Andrade (1893-1945), poeta e romancista, professor de música, crítico de arte e um dos principais teóricos do movimento modernista. Sua primeira obra modernista, “Paulicéia Desvairada”, publicada em 1922, apresenta alguns princípios como a liberdade formal, o uso de expressões populares, busca de uma gramática brasileira, não portuguesa, e o aprofundamento da análise da realidade nacional, marcada pelo passado colonial e pela mistura de raças. 


Oswald de Andrade

Oswald de Andrade (1890-1954), romancista, poeta, dramaturgo e ensaísta, uma das figuras mais importantes do modernismo. Em 1928, ao lado de Tarsila do Amaral, lançou o Movimento Antropofágico, que propunha a “devoração cultural das técnicas importadas para reelaborá-las com autonomia, convertendo-as em produtos de exportação”.


Manuel Bandeira



Este notável poeta do modernismo brasileiro nasceu em Recife, Pernambuco, no ano de 1886.  Teve seu talento evidenciado desde cedo quando já se destacava nos estudos.
 Durante o período em que cursava a Faculdade Politécnica em São Paulo, Bandeira precisou deixar os estudos para ir à Suíça na busca de tratamento para sua tuberculose. Após sua recuperação, ele retornou ao Brasil e publicou seu primeiro livro de versos, Cinza das Horas, no ano de 1917; porém, devido à influência simbolista, esta obra não teve grande destaque. 
 Dois anos mais tarde este talentoso escritor agradou muito ao escrever Carnaval, onde já mostrava suas tendências modernistas. Posteriormente, participou da Semana de Arte Moderna de 1922, descartando de vez o lirismo bem comportado. Passou a abordar temas com mais encanto, sendo que muitos deles tinham foco nas recordações de infância. 
 Além de poeta, Manuel Bandeira exerceu também outras atividades: jornalista, redator de crônicas, tradutor, integrante da Academia Brasileira de Letras e também professor de História da Literatura no Colégio Pedro II e de Literatura Hispano-Americana na faculdade do Brasil, Rio de Janeiro. 
 Este, que foi um dos nomes mais importantes do modernismo no Brasil, faleceu no ano 1968.

Fonte: http://www.suapesquisa.com/biografias/manuelbandeira/
http://www.historiamais.com/semana-de-arte-moderna.htm

http://www.brasilescola.com/literatura/artistas-da-arte-moderna.htm

Artistas Idealizadores

Falar sobre os artistas da Arte Moderna significa falar sobre o maior evento que marcou a história da arte brasileira. Tal evento, conhecido como a Semana de Arte Moderna, ocorreu no Teatro Municipal de São Paulo, entre os dias 13 e 18 de fevereiro de 1922.

Artistas:

Anita Catarina Malfatti;
Di Cavalcanti;
Lasar Segall;
Tarsila do Amaral;
Ismael Nery;
Manuel Bandeira;
Oswald de Anrade;
Mario de Andrade;
Heitor Vila Lodos.

Afinal, por que 1922? 
Essa é a data em que o Brasil comemorou seu primeiro centenário da Independência, embora essa independência em nada tenha transformado os planos político, econômico ou cultural.


 Fonte: http://www.brasilescola.com/literatura/artistas-da-arte-moderna.htm

Semana de Arte Moderna

segunda-feira, 6 de abril de 2015

O Modernismo no Brasil – 2ª fase

O Brasil e o mundo viveram profundas crises nas décadas de 1930 e 40, nesse momento o romance brasileiro se destaca, pois se coloca a serviço da análise crítica da realidade.
O quadro social, econômico e político que se verificava no Brasil e no mundo no início a década de 1930 – o nazifascismo, a crise da Bolsa de Nova Iorque, a crise cafeeira, o combate ao socialismo – exigia dos artistas uma nova postura diante da realidade, nova posição ideológica.
Na prosa, foi evidente o interesse por temas nacionais, uma linguagem mais brasileira, com um enfoque mais direto dos fatos marcados pelo Realismo – Naturalismo do século XIX.
O romance focou o regionalismo, principalmente o nordestino, onde problemas como a seca, a migração, os problemas do trabalhador rural, a miséria, a ignorância foram ressaltados.
Além do regionalismo, destacaram-se também outras temáticas, surgiu o romance urbano e psicológico, o romance poético-metafísico e a narrativa surrealista.
A poesia da 2ª fase modernista percorreu um caminho de amadurecimento. No aspecto formal, o verso livre foi o melhor recurso para exprimir sensibilidade do novo tempo, se caracteriza como uma poesia de questionamento: da existência humana, do sentimento de “estar-no-mundo”, inquietação social, religiosa, filosófica e amorosa.

Dentre os muitos poetas e escritores dessa fase destacamos:

Na prosa:
- Graciliano Ramos
- Rachel de Queiros
- Jorge Amado
- José Lins do Rego
- Érico Veríssimo
- Dionélio Machado

Na poesia
- Carlos Drummond de Andrade
- Murilo Mendes
- Jorge de Lima
- Cecília Meireles
- Vinícius de Morais.


POEMAS:

 CECÍLIA MEIRELES;

Timidez
Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve…
- mas só esse eu não farei.
Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes…
- palavra que não direi.
Para que tu me adivinhes,
entre os ventos taciturnos,
apago meus pensamentos,
ponho vestidos noturnos,
- que amargamente inventei.
E, enquanto não me descobres,
os mundos vão navegando
nos ares certos do tempo,
até não se sabe quando…
e um dia me acabarei.


Inscrição na Areia
O meu amor não tem
importância nenhuma.
Não tem o peso nem
de uma rosa de espuma!
Desfolha-se por quem?
Para quem se perfuma?
O meu amor não tem
importância nenhuma.






 Carlos Drummond de Andrade:

Ausência

Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
As sem-razões do amor
Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.



Carlos Drummond de Andrade


Fonte:

Por Marina Cabral
Especialista em Língua Portuguesa e Literatura.

http://www.brasilescola.com/literatura/o-modernismo-no-brasil2-fase.htm

http://www.poesiaspoemaseversos.com.br/cecilia-meireles-poemas/#.VSNIjhpvjIU

http://www.revistabula.com/391-os-dez-melhores-poemas-de-carlos-drummond-de-andrade/

http://pensador.uol.com.br/poesias_de_carlos_drummond_de_andrade/

Poesia de Manuel Bandeira Primeira Fase do Modernismo

                              MANUEL BANDEIRA

                  Arte de Amar
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus — ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.

                                                         Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.

                      Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

Poesia de Oswald de Andrade da Primeira Fase do Modernismo


OSWALD DE ANDRADE

                                                        Erro de Português

                  Quando o português chegou
                  Debaixo de uma bruta chuva
                  Vestiu o índio
                  Que pena!
                  Fosse uma manhã de sol
                  O índio tinha despido
                  O português.

Primeira Fase do "Modernismo"

A Primeira fase do Modernismo, também, convencionalmente, denominada “heroica”, compreendeu o período entre 1922 a 1930 e teve início com o marco da Semana de Arte Moderna em fevereiro 1922, no teatro Municipal de São Paulo e pretendia fazer com que a população, de modo geral, tomasse consciência da realidade brasileira.
Este movimento cultural foi idealizado e liderado por um grupo de artistas chamado Grupo dos cinco, integrado pelos escritores Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia e pelas pintoras Tarsila do Amaral e Anita Malfatti, além de contar com várias participações artísticas.
Nela foram apresentados quadros, obras literárias e recitais inspirados em técnicas da vanguarda europeia, como o dadaísmo, o futurismo, o expressionismo e o surrealismo, misturados a temas brasileiros. Causou enorme polêmica na época.
Os modernistas ridicularizavam o parnasianismo. Propunham uma renovação radical na linguagem e nos formatos, marcando a ruptura definitiva com a arte tradicional, destruição das estruturas clássicas, acadêmicas, harmônicas, e por esse motivo tem caráter anárquico e destruidor. Os artistas têm em comum a busca pela origem, daí vem o nacionalismo e acarreta a volta às origens e valorização do índio brasileiro. 
É considerado um movimento não só artístico como também político e social, já que se opunha à política totalitária da época, bem como da contradição social entre os proletários e imigrantes e as oligarquias rurais. 
Os escritores de maior destaque dessa fase defendiam estas propostas: reconstrução da cultura brasileira sobre bases nacionais; promoção de uma revisão crítica de nosso passado histórico e de nossas tradições culturais; eliminação definitiva do nosso complexo de colonizados, apegados a valores estrangeiros. Portanto, todas elas estão relacionadas com a visão nacionalista, porém crítica, da realidade brasileira.
O compromisso do Modernismo nessa geração heroica era destruir para, a partir daí, apresentar o novo.

Características observadas na primeira fase do movimento modernista:
- a instituição do simples, do prosaico, do cotidiano na temática literária, mesmo que trazendo consigo reflexões, de fundo, complexas.
- revisão crítica de nossa história, com especial atenção e contraposição à idealização indianista romântica.
- a valorização do linguajar brasileiro espontâneo, em detrimento de uma visão de linguagem elitista.
- o uso enfático do humor, da ironia e do sarcasmo.
- o questionamento do status quo.

Várias obras, grupos, movimentos, revistas e manifestos ganharam o cenário intelectual brasileiro, numa investigação profunda e por vezes radical de novos conteúdos e de novas formas de expressão.
Entre os fatos mais importantes, destacam-se a publicação da revista Klaxon, lançada para dar continuidade ao processo de divulgação das ideias modernistas, e o lançamento de quatro movimentos culturais:


  • Manifesto Pau-Brasil: escrito por Oswald de Andrade, publicado no jornal “Correio da Manhã”, em 18 de março de 1924, apresentou uma proposta de literatura vinculada à realidade brasileira e às características culturais do povo brasileiro, com a intenção de causar um sentimento nacionalista, uma retomada de consciência nacional. Propunha uma postura primitivista e inovadora na poesia, rejeitando o discurso poético retórico.


  • Verde-Amarelismo: este movimento surgiu como resposta ao “nacionalismo afrancesado” do Pau-Brasil, em 1926, apresentado, principalmente, por Oswald de Andrade, liderado por Plínio Salgado. O principal objetivo era o de propor um nacionalismo puro, primitivo, sem qualquer tipo de influência.


  • Anta: parte do movimento Verde-Amarelismo, representa a proposta do nacionalismo primitivo elegendo como símbolo nacional a “anta”, além de vangloriar a língua indígena “tupi”. 


  • Antropofagia: publicado entre os meses de maio de 1928 e fevereiro de 1929, sob direção de Antônio de Alcântara Machado, surgiu como nova etapa do nacionalismo “Pau-Brasil” e resposta ao “Verde-Amarelismo”. Sua origem se dá a partir de uma tela feita por Tarsila do Amaral, em janeiro de 1928, batizada de Abaporu ( aba= homem e poru = que come). Assinado por Oswald de Andrade, tinha, como diz Antônio Cândido, “uma atitude brasileira de devoração ritual dos valores europeus, a fim de superar a civilização patriarcal e capitalista, com suas normas rígidas no plano social e os seus recalques impostos, no plano psicológico”. Havia a  Revista de Antropofagia, onde Oswald de Andrade publicou o Manifesto Antropófago.

Através das características desses manifestos, temos por análise a identificação de duas posturas nacionalistas distintas: de um lado o nacionalismo consciente, crítico da realidade brasileira, e de outro um nacionalismo ufanista, utópico, exacerbado.
Dentre os muitos escritores que fizeram parte da primeira geração do Modernismo destacamos Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Manuel Bandeira, Alcântara Machado, Menotti del Picchia, Raul Bopp, Ronald de Carvalho e Guilherme de Almeida.

Fontes:
http://www.brasilescola.com/literatura/o-modernismo-no-brasil.htm
http://educacao.globo.com/literatura/assunto/movimentos-literarios/modernismo-fase-heroica.html
http://www.mundoeducacao.com/literatura/modernismoprimeira-fase-literaria.htm