terça-feira, 14 de abril de 2015

Semana da Arte Moderna

As agitações da primeira década do século XX se tornaram mais evidente nos anos 1920 quando a "República Velha”, que era dominada pelas oligarquias cafeeiras, com a politica do “café com leite” intercalando o poder entre São Paulo e Minas Gerais, passou a dar sinais de desgaste, observava-se também, o crescimento do movimento tenentista, que contestava a ação política e social dos coronéis e defendiam reformas políticas e sociais, promoviam revoltas e contavam com a Coluna Preste, liderada por Luís Carlos Prestes, que objetivava conscientizar a população contra as injustiças sociais promovidas pelo governo republicano, na qual seus participantes percorriam milhares de quilômetros pelo interior do Brasil para espalhar as verdades sobre o governo. Era evidente também, a crescente industrialização e o grande fluxo de imigrantes. Isso tudo gerou o Golpe de 1930 e a Era Vargas.
O contexto da crise no Brasil se deu no período dos "anos loucos", bastante ricos do ponto de vista cultural. Era o período pós-guerra, e o continente europeu comemorava o fim do conflito e experimentava a efervescência intelectual. A arte moderna nasceu dessas várias tendências, e se espalhou pelo mundo inteiro com o Expressionismo (1905), o Cubismo (1907), o Futurismo (1909), o Dadaísmo (1916) e o Surrealismo (1924). Nesta época era perceptível uma inquietação por parte de artistas e intelectuais em relação ao academicismo que imperava no cenário artístico. Apesar de vários artistas passarem temporadas em Paris, eles ainda não traziam as informações dos movimentos de vanguarda que efervesciam na Europa. As primeiras exposições expressionistas que passaram pelo Brasil - a de Lasar Segall em 1913 e, um ano depois a de Anita Malfatti - não despertaram atenção; é somente em 1917, com a segunda exposição de Malfatti, ou mais ainda com a crítica que esta recebeu de Monteiro Lobato, que vai ocorrer uma polarização das ideias renovadoras. É nesse cenário que se organiza a Semana da Arte Moderna.
A Semana de Arte Moderna ocorreu no Teatro Municipal de São Paulo, nos dias de 13, 15 e 17 de fevereiro de 1922, e foi um movimento artístico, social e político, que tinha como objetivo atualização das artes e da identidade nacional.
Foi idealizada por Di Cavalcante e contou com a presença de diversos artistas, como os escritores Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia e pelas pintoras Tarsila do Amaral e Anita Malfatti, que desejavam escandalizar a sociedade, principalmente a burguesia urbana, que comemorava o centenário da independência do país, mas ainda vivia nos moldes de vida europeus.
No evento, havia um grupo que lutava contra os valores estéticos conservadores e não aceitava a submissão às propostas oriundas da Europa. De fato, colocavam em xeque a ideia de que o Brasil precisava “copiar” o modelo civilizatório europeu para que o país tivesse condições de superar seus problemas e “atrasos”. Enfim, inspirados por novas ideias, pretendiam romper com os velhos padrões estéticos que vigoraram no século XIX.
Foram realizadas conferências e palestras sobre diferentes temas relacionados às formas de expressão artística no Brasil e no mundo. No saguão do teatro, uma exposição mostrava as modernas tendências das artes plásticas, com cores e formas que chocaram os apreciadores de uma arte mais comportada.
Durante o evento, foram realizados diferentes festivais, cada qual dedicado a um tema: pintura e escultura, literatura, poesia e música.
Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Vítor Brecheret, Heitor Villa-Lobos, Menotti del Pichia, Guilherme de Almeida e Sérgio Milliet foram alguns dos grandes nomes que participaram da Semana, além de inúmeros outros artistas.
Muitos deles, como Oswald de Andrade e Anita Malfatti, tiveram contato com as novas vanguardas artísticas em viagens feitas ao exterior. Ao voltar para o Brasil, incorporaram as novas ideias a seu trabalho, propondo novas formas de expressão artística dentro da valorização das características nacionais. A renovação da linguagem era uma necessidade da intelectualidade brasileira no início do século XX.
Os artistas brasileiros buscavam uma identidade própria e a liberdade de expressão; com este propósito, experimentavam diferentes caminhos sem definir nenhum padrão. Isto culminou com a incompreensão e com a completa insatisfação de todos que foram assistir a este novo movimento. Logo na abertura, Manuel Bandeira, ao recitar seu poema Os sapos, foi desaprovado pela plateia através de muitas vaias e gritos. 
Embora tenha sido alvo de muitas críticas, a Semana de Arte Moderna só foi adquirir sua real importância ao inserir suas ideias ao longo do tempo. O movimento modernista continuou a expandir-se por divulgações através da Revista Antropofágica e da Revista Klaxon, e também pelos seguintes movimentos: Movimento Pau-Brasil, Grupo da Anta, Verde-Amarelismo e pelo Movimento Antropofágico. 
Com o tempo, a Semana da Arte Moderna passou a ser considerada o ponto de partida do Modernismo no Brasil, um movimento artístico que pregava a liberdade de expressão e de estilo e a autonomia dos artistas, com a valorização da identidade brasileira em toda a sua variedade.
Alguns movimentos artísticos que vieram bem depois, na segunda metade do século XX, podem ser considerados desdobramentos das ideias estéticas apresentadas originalmente na Semana de 22. Se destacam, no cinema, os filmes do diretor Glauber Rocha; na música, o movimento do Tropicalismo; e no teatro, a chamada geração do Teatro Lira Paulistana, em São Paulo (com destaque para Itamar Assunção e Arrigo Barnabé).
Dessa forma, podemos considerar que a Semana de Arte Moderna teve uma importância fundamental na revisão dos valores estéticos e nas discussões intelectuais do Brasil. Apesar do acesso ao conhecimento e o analfabetismo serem dois grandes entraves desse período, o evento teve grande importância para que outras manifestações artísticas surgissem posteriormente.

Fontes Bibliográficas:
http://www.suapesquisa.com/artesliteratura/semana22/
http://mundoestranho.abril.com.br/materia/o-que-foi-a-semana-de-arte-moderna-de-1922 
http://escola.britannica.com.br/article/483556/Semana-de-Arte-Moderna-de-1922
http://www.macvirtual.usp.br/mac/templates/projetos/seculoxx/modulo2/modernismo/semana/index.htm
http://www.mundoeducacao.com/historiadobrasil/semana-arte-moderna-1922.htm
http://www.historia.seed.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=280
http://educacao.globo.com/literatura/assunto/movimentos-literarios/modernismo.html
http://abstracaocoletiva.com.br/2013/04/10/semana-de-arte-moderna-contexto-historico/

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