As agitações da primeira década do século XX se tornaram mais
evidente nos anos 1920 quando a "República Velha”, que era dominada pelas oligarquias cafeeiras, com
a politica do “café com leite” intercalando o poder entre São Paulo e Minas Gerais,
passou a dar sinais de desgaste, observava-se
também, o crescimento do movimento tenentista, que contestava a ação política e
social dos coronéis e defendiam reformas políticas e sociais, promoviam
revoltas e contavam com a Coluna Preste, liderada por Luís Carlos Prestes, que
objetivava conscientizar a população contra as injustiças sociais promovidas
pelo governo republicano, na qual seus participantes percorriam milhares de
quilômetros pelo interior do Brasil para espalhar as verdades sobre o governo.
Era evidente também, a crescente industrialização e o grande fluxo de
imigrantes. Isso tudo gerou o Golpe de 1930 e a Era Vargas.
O contexto da crise no Brasil se deu no período dos
"anos loucos", bastante ricos do ponto de vista cultural. Era o
período pós-guerra, e o continente europeu comemorava o fim do conflito e
experimentava a efervescência intelectual. A arte moderna nasceu dessas várias
tendências, e se espalhou pelo mundo inteiro com o Expressionismo (1905), o Cubismo
(1907), o Futurismo (1909), o Dadaísmo (1916) e o Surrealismo (1924). Nesta época era perceptível
uma inquietação por parte de artistas e intelectuais em relação ao academicismo
que imperava no cenário artístico. Apesar de vários artistas passarem
temporadas em Paris, eles ainda não traziam as informações dos movimentos de
vanguarda que efervesciam na Europa. As primeiras exposições expressionistas
que passaram pelo Brasil - a de Lasar Segall em
1913 e, um ano depois a de Anita Malfatti -
não despertaram atenção; é somente em 1917, com a segunda exposição de
Malfatti, ou mais ainda com a crítica que esta recebeu de Monteiro Lobato, que
vai ocorrer uma polarização das ideias renovadoras. É nesse cenário que
se organiza a Semana da Arte Moderna.
A Semana
de Arte Moderna ocorreu no Teatro Municipal de São Paulo, nos dias de 13, 15 e
17 de fevereiro de 1922, e foi um movimento artístico, social e político, que tinha como objetivo atualização das artes e da identidade nacional.
Foi
idealizada por Di Cavalcante e contou com a presença de diversos artistas, como
os escritores Mário de Andrade,
Oswald de Andrade e Menotti Del Picchia e pelas pintoras Tarsila do Amaral e
Anita Malfatti, que
desejavam escandalizar a sociedade, principalmente a burguesia urbana, que
comemorava o centenário da independência do país, mas ainda vivia nos moldes de
vida europeus.
No
evento, havia um grupo que lutava contra os valores estéticos conservadores e
não aceitava a submissão às propostas oriundas da Europa. De fato, colocavam em
xeque a ideia de que o Brasil precisava “copiar” o modelo civilizatório europeu
para que o país tivesse condições de superar seus problemas e “atrasos”. Enfim,
inspirados por novas ideias, pretendiam romper com os velhos padrões estéticos
que vigoraram no século XIX.
Foram
realizadas conferências e palestras sobre diferentes temas relacionados às
formas de expressão artística no Brasil e no mundo. No saguão do teatro, uma
exposição mostrava as modernas tendências das artes plásticas, com cores e
formas que chocaram os apreciadores de uma arte mais comportada.
Durante o
evento, foram realizados diferentes festivais, cada qual dedicado a um
tema: pintura e escultura, literatura, poesia e música.
Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Vítor Brecheret, Heitor Villa-Lobos, Menotti
del Pichia, Guilherme de Almeida e Sérgio Milliet foram alguns dos grandes
nomes que participaram da Semana, além de inúmeros outros artistas.
Muitos
deles, como Oswald de Andrade e Anita Malfatti, tiveram contato com as novas
vanguardas artísticas em viagens feitas ao exterior. Ao voltar para o Brasil,
incorporaram as novas ideias a seu trabalho, propondo novas formas de expressão
artística dentro da valorização das características nacionais. A renovação da
linguagem era uma necessidade da intelectualidade brasileira no início do
século XX.
Os artistas brasileiros buscavam uma identidade
própria e a liberdade de expressão; com este propósito, experimentavam
diferentes caminhos sem definir nenhum padrão. Isto culminou com a
incompreensão e com a completa insatisfação de todos que foram assistir a este
novo movimento. Logo na abertura, Manuel Bandeira, ao recitar seu poema Os
sapos, foi desaprovado pela plateia através de muitas vaias e gritos.
Embora
tenha sido alvo de muitas críticas, a Semana de Arte Moderna só foi adquirir
sua real importância ao inserir suas ideias ao longo do tempo. O movimento
modernista continuou a expandir-se por divulgações através da Revista
Antropofágica e da Revista Klaxon, e também pelos seguintes movimentos:
Movimento Pau-Brasil, Grupo da Anta, Verde-Amarelismo e pelo Movimento
Antropofágico.
Com o
tempo, a Semana da Arte Moderna passou a ser considerada o ponto de partida do
Modernismo no Brasil, um movimento artístico que pregava a liberdade de
expressão e de estilo e a autonomia dos artistas, com a valorização da
identidade brasileira em toda a sua variedade.
Alguns
movimentos artísticos que vieram bem depois, na segunda metade do século XX,
podem ser considerados desdobramentos das ideias estéticas apresentadas
originalmente na Semana de 22. Se destacam, no cinema, os filmes do diretor Glauber Rocha; na música, o
movimento do Tropicalismo; e no teatro, a chamada geração do Teatro Lira Paulistana, em
São Paulo (com destaque para Itamar Assunção e Arrigo Barnabé).
Dessa forma, podemos considerar que a Semana de
Arte Moderna teve uma importância fundamental na revisão dos valores estéticos
e nas discussões intelectuais do Brasil. Apesar do acesso ao conhecimento e o
analfabetismo serem dois grandes entraves desse período, o evento teve grande
importância para que outras manifestações artísticas surgissem posteriormente.
Fontes Bibliográficas:
http://www.suapesquisa.com/artesliteratura/semana22/
http://mundoestranho.abril.com.br/materia/o-que-foi-a-semana-de-arte-moderna-de-1922
http://escola.britannica.com.br/article/483556/Semana-de-Arte-Moderna-de-1922
http://www.macvirtual.usp.br/mac/templates/projetos/seculoxx/modulo2/modernismo/semana/index.htm
http://www.mundoeducacao.com/historiadobrasil/semana-arte-moderna-1922.htm
http://www.historia.seed.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=280
http://educacao.globo.com/literatura/assunto/movimentos-literarios/modernismo.html
http://abstracaocoletiva.com.br/2013/04/10/semana-de-arte-moderna-contexto-historico/
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